Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia

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O que é (ou não é) o BIC&T?

A ideia dos bacharelados interdisciplinares (BIs) originou-se em textos produzidos por intelectuais da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Em 2004, a UFABC publicou o estudo “Subsídios para a reforma do ensino superior”, que incluía em seu primeiro capítulo o conhecido “Manifesto de Angra”, de 1998. Assinado por um grupo composto pelos mais notáveis cientistas e educadores do Brasil, o “Manifesto” trazia a essência dos fundamentos dos BIs, dentre elas: (i) a valorização da interdisciplinaridade e da mobilidade acadêmica; (ii) o estímulo ao auto-aprendizado, um pressuposto da sociedade do conhecimento; e (iii) o incentivo ao exercício da livre escolha e da responsabilidade por ela, uma vez que as disciplinas obrigatórias dos BIs compõem apenas cerca de 50% da carga didática do curso.

Iniciativas semelhantes ocorrem na Europa desde o final do século XX. Reunidos em Bologna, na Itália, em 1999, Secretários e Ministros da Educação de mais de 20 países europeus subscreveram o documento “Consenso de Bologna”, que propunha um modelo de BIs hoje adotado por mais de 40 países europeus. Os relatórios preliminares apresentam resultados bastante satisfatórios e registram que, mais que educacional esse projeto pedagógico constitui um projeto de cidadania.

O fato do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia (BIC&T) ser concebido para ser concluído em três anos é suficiente para que muitos o vejam como um curso técnico, ou básico, preparatório para os cursos de Engenharia. Contudo, esses são dois equívocos conceituais que devem ser evitados. Uma instituição que incorrer em algum deles, na tentativa de implantar um BIC&T, poderá até estar criando um bom novo curso, mas estará fugindo dos fundamentos conceituais que ensejaram as ideias fundamentais associadas à criação dos Bacharelados Interdisciplinares. Conceitualmente, a formação de um tecnólogo (bacharel formado em um curso técnico) é de cunho mais prático, e tem por base a oferta de muita informação de nível operacional, buscando atender especificidades de setores produtivos industriais. Portanto, de complexidade focada em temas específicos. A formação propiciada pelo BIC&T tem pressupostos completamente distintos. Um dos principais deles é o chamado “aprender a aprender”, que começa com a compreensão das consequências das próprias escolhas, uma vez que aproximadamente 50% dos créditos devem ser de livre escolha do aluno. O aluno desta forma não fica prisioneiro de uma grade curricular fixa, imposta pela instituição. Ele tem a liberdade, sempre supervisionada, de propiciar a si mesmo o seu perfil profissional. Em outras palavras, o aluno é protagonista de sua própria formação. Os 50% de créditos obrigatórios têm origem nas “disciplinas básicas das áreas de ciências exatas, biológicas e humanas, com flexibilidade (bem orientada) na escolha do currículo”, como registra “O Manifesto de Angra”, documento de 1998 da Academia Brasileira de Ciências. E ele vai além: “Haveria oportunidades de contato com diferentes carreiras, permitindo uma opção posterior melhor informada e mais amadurecida. Um modelo desse tipo (que não deve ser confundido com o chamado “ciclo básico”) (grifo nosso) permitiria uma seleção de disciplinas com base nas aptidões gerais desejáveis ao aluno. Também valorizaria a docência em disciplinas básicas, motivando os docentes a conquistar os alunos para suas áreas. Quanto mais básico o nível de uma disciplina, mais importante é que ela seja ministrada por docentes mais experimentados, capazes de inspirar e motivar os estudantes”.

Em relação ao mercado de trabalho, profissionais com formação semelhante (com diversas variações) já existem há muitos anos e são bem aceitos nos EUA e na Europa (particularmente na Europa, após as primeiras implementações do modelo descrito no documento Consenso de Bologna). Também cabe lembrar que no mercado brasileiro cerca de 50% dos profissionais não trabalham na área em que se graduaram disciplinarmente.

Finalmente, esta percepção bastante geral está materializada (apenas como exemplo) nas recentes palavras do ex-presidente Bill Clinton publicadas no jornal Folha de São Paulo (abril de 2011): “Muitos dos empregos do século 21, mesmo nos países desenvolvidos, não vão demandar diploma universitário… mas também acho que um diploma de ensino superior tem um valor que é intrínseco. Você entende melhor o mundo, aumenta seu senso de segurança quando você navega por todas as incertezas do mundo. Um valor que vai além do econômico. Acho que o diploma ajuda a construir um bom senso de cidadania. Logo, quanto mais gente na universidade, maior o potencial de criação de empregos. Isso é muito importante”.

(Fragmento retirado o PPC do BIC&T da Universidade Federal de São Paulo)

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